
Vida em um Parágrafo
Jorge Magalhães de Oliveira
Ah! Querido leitor, nunca houve pessoa com final tão feliz quanto o de Daniela Pedroso Araújo. Era estéril e não teve filhos seus, não esperava por isso, porém aceitou bem o seu destino. Casou-se com 25 anos e fez todas as bodas que sua vida permitiu. Morreu aos 95 por envelhecimento enquanto dormia; Viu seu Marido, João Carlos Silva Araújo, Morrer de câncer uns seis anos antes de sua partida para o expresso final. Formou-se professora de educação infantil e ensino fundamental concluindo o curso superior de pedagogia aos 22 anos na Universidade de São Paulo e obteve uma oferta de emprego maravilhosa para lecionar uma sala de 35 alunos na sua cidade natal na escola onde havia estudado ainda criança. Viajou, então, em dezembro para a Bahia, morar com seus pais e exercer sua profissão. Seu pai conseguiu recebê-la de braços abertos em casa, porém morreu dois meses depois. No dia da morte de Antonio Pedroso conheceu João que era filho de um amigo do falecido. Três anos mais tarde o casório aconteceu na Igreja São Jorge dos Ilhéus. Ensinou 525 crianças das mais diversas cores e condições financeiras no Grupo Escolar do Eduardo da Avenida Princesa Isabel da cidade de Ilhéus. Numa noite seu marido, então Radialista da rádio "Gabriela FM", lhe falou da oferta de emprego que havia ganho para trabalhar na cidade de São Paulo junto com a grande oportunidade de estudar em uma universidade de sua escolha com as despesas pagas pela empresa contratante. Daniela amava sua cidade, só que viu alí a única oportunidade que seu marido teria de conseguir um diploma de ensino superior. E, posso contar a vocês, que Daniela não poderia ter feito escolha mais sábia, pois era, sem dúvida alguma, a única chance que seu amor teria. Ela se lembrou que ainda adolescente, por volta dos 15 anos 3 meses 17 dias e 17 horas de idade, de quando comunicou aos seus pais a sua intenção de fazer o ensino médio e, posteriormente, uma faculdade na cidade de São Paulo. Seus pais só haviam lhe dito duas coisas naquela época. "Se acabar o seu dinheiro não peça mais." e "Se você não passar na faculdade nem se importe de voltar." e como nós já sabemos, ela passou e voltou. Viu então o que precisava fazer por seu marido. Arrumaram as malas, trancaram a casa, deram a chave para a mãe de Daniela e pegaram o primeiro avião para a cidade da garoa. A vida não foi fácil nos primeiros meses, tiveram de se acostumar com mudança constante de temperatura, as ofensas não intencionais por parte dos paulistas ("Nossa, que coisa de baiano") e a pobreza momentânea. Tiveram de morar em um pequeno apartamento somente com o dinheiro ganho por João Carlos já que todas as reservas feitas por Daniela, que juntava bastante dinheiro lembrando das palavras ditas por seus pais, estavam aplicadas na construção de uma escola particular de Educação Infantil nas imediações do Jardim São Paulo. Quando a pequena escola ganhou notoriedade pela região, graças aos imensos esforços da dona para que o ensino fosse o melhor, a vida começou a melhorar, seu marido terminou a faculdade e as coisas melhoraram ainda mais. Sua pequena escola de educação infantil cresceu tanto que virou o Instituto Daniela araújo, até que com 65 anos retorna a Ilhéus para adotar uma criança (sua esterilidade e estabilidade financeira ajudaram no processo). Um garoto de quinze anos se mudou com ela para São Paulo e recebeu a melhor educação que eles puderam dar. Nunca houve pessoa tão grata quanto Pedro pelo amor que Daniela, uma senhora de cabelos já brancos, e João Carlos, também grisalho, o deram. Pedro então se formou em medicina e cuidou de seu pai na reta final. Logo seu marido morreu, e Daniela chorou durante 13 dias e 12 noites, mas ficou feliz pois acreditava na graça de Deus e que João estava na sua companhia. E, um dia depois de fazer as sua grande festa de 95 anos, na qual dançou como se fosse uma garotinha, os anjos vieram lhe buscar em seus sonhos. Suas últimas palavras foram "Como fui feliz". E foi mesmo.
--------------------------------------------------------------------------
Não sei dizer se o que escrevi está bom ou não, só sei que queria uma narrador que conversasse pelo menos um pouco com o leitor, uma história de um parágrafo e uma sucessão de fatos tristes e felizes que representassem uma vida boa. Se eu puder ser um pouquinho como Daniela já estarei feliz. Peço perdão por qualquer erro de português ou concordância, o texto ainda não foi revisado. Agradeço pela compreensão.
Bela história! Belo título!
ResponderExcluirQue história linda! São histórias como essa que me motivam sempre a continuar, mesmo que tudo pareça estar contra mim. Parabéns por escrever coisas tão profundas e verdadeiras na internet, onde grande parte dos escritos são besteiras inúteis. Vc tem muito talento e é bom ver que o usa para mudar, nem que seja um pouco, a vida das pessoas.
ResponderExcluir