domingo, 12 de dezembro de 2010

Anjinho

- Que pequenas asas tem você!
Tão pequeno! Tão fofinho!

 - Será que lhe adianta dizer
Que meu nome é Gabriel?

domingo, 5 de dezembro de 2010

life

And I knew, that somewhere, inside my heart, she was hiding. Waiting for the perfect moment to arrive, so that she could remind me of what it feels like to cry without eyes.
And she knew that hurting me was just another way of hurting herself, but she couldn’t stop. She couldn’t stop being seriously injured by her own words.
And we both knew that memories would come back to hunt us in the near future. And, as much as I would be willing to, I will not refrain those memories anymore. Come and try to kill me.
Come, memories from a past yet to be lived. Come so I can see your face and be proud to say that I made it. I've kept on living.
Come, so that I can remind her that those memories can only hurt my past. Because my present is stronger.
I know I’ll die one day. But it will not be because of some stupid letters that were left by nobody. I won’t accept it.
Death can wait a little longer for me.  Death will have to wait.
I’ve just started living.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Quem dera certas verdades fossem mentiras.
Que fossem simples mentiras.
Que não fossem
Verdade

Mentira
Se fosse assim
Se verdades fossem mentiras
Se não precisasse mentir para mim

Eu
Seria
Tão
Mais
Feliz

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sliced

V        E
I         L
V        E
E        M
U         I
           F
V        R
I         O
V        P
E        E
U
M        S
A        O
I          L
S         E
U        D
M       A
P         S
O        E
U        P
C        E
O        V
           E
C        T
R      
E
S         S
C        O
E         H
U         L
            I
C         F
A         S
S         O
O         U
U         O
-           I
S          R
E          C

       T
       E
       V
       E
       F
       I
       L
       H
       O
       S
se suicidou numa tarde de sábado.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A Inveja Desenterrada do Diário de Helena Palma


Jorge Magalhães
de Oliveira

Dia 15 de agosto

Levanto, então, o meu sorriso mais verdadeiro. Tento. Porém já não consigo. O que me vem aos lábios é apenas uma fenda sarcástica que enveluda meus pensamentos e imperializa a minha falsidade. A grande coroa de Rainha do submundo deveria vir para mim que sou falsa mesmo em frente ao espelho. Que descasco em noites úmidas. Que escrevo mentiras para satisfazer meu ego. Que desenho o destino alheio.
A minha mão encontra as costas daquela que me abraça com tanta ternura, e repete o gesto feito em mim pelas mãos amáveis dela. Só que o único desejo daquela mão é afastá-la como uma infectada. Nojenta. Pútrida. Irritante. Monopolizadora. Arrogante.
Ah, mas se ela soubesse do que tenho guardado dentro de mim e do tamanho de minha paciência perceberia que meus dentes nunca estiveram tão amarelos. Perceber é o problema dela. Não percebe. NUNCA. Continua burra acreditando que a amamos, que realmente gostamos dela. Que simplesmente nunca lhe passou pela cabeça que todos os sorrisos a ela direcionados já foram, pelo menos uma vez, falsos por todas as pessoas que a circundam.
Como é ingênua, a ponto de parecer idiota, esta menina. Se joga em cima de garotos como se os lábios alheios fossem carne que não come a anos, e a saliva fosse água doce que lhe saceia a sede de morte. Como é ingênua por não perceber que é usada. Como é ingênua por não perceber que ele me ama. E não a ela.
E, por mais que eu tente localizá-la neste mundo podre que é a terra, ela se mantem radiante e estúpida. O sol da manhã nunca dorme dentro de seu pequeno corpo. Corpo horroroso. Cabelo Seboso. Espinhas inflamadas. Engorda sua louca desvairada! Que ainda falta para você atingir o meu conceito de acabada. Come este docinho que fiz especialmente para você, e que infelizmente não tive a decência de colocar cianureto na receita. Engole este pedaço de gordura e fique gorda. Gorda e mais gorda.
Por incrível que pareça eu gosto dela. Desta imbecil. Gosto de verdade. Só que o saco está enchendo de ar e prestes a estourar. Só que o saco não para de encher. E o saco não para de chiar.
Então, melhor cortar este mal pela raiz de seu cabelo, raspando tua cabeça até ficar lisa e pelada, brilhando como bola de bilhar. Enfiar-lhe goela abaixo líquidos com álcool e forçar-te uma cirrose. Fuma este bagulho e fique viciada. Grite de dor enquanto espanco sua cara. Seu lindo rosto de cavalo com expressão azeda e vazia.
E ainda gosto de você. Minha nossa. Como sou falsa.
Que felicidade.

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Helena Palma, uma de minhas personagens mais queridas. Tão repugnante que a amo do fundo do meu coração. Ela veio bem a calhar neste momento de raiva, a vejo como um lado meu que não aparece muito, só que quando aparece sempre é uma surpresa. No início este excerto não falava sobre inveja, porque não a sentia. Só que vi no que escrevi um desabafo de Helena sobre sua inveja. Talvez a personagem invejada dê as caras um dia desses. Seu nome veio de uma professora de balé de minha irmã, porém são personalidades completamente diferentes. Espero que Helena e sua visão medonha de mundo consigam voltar a vez a luz com este blog.

Diálogo interno com a morte.


Quem Gosta
Do gosto
Gostoso do
Sangue da
Meia
Noite
?

Ceifador,
Oh,
Ceifador.

Tirai Dela
Da amada
Da amorosa
O gosto
Gostoso do
Sangue da
Meia
Noite

Ceifador,
Oh,
Ceifador.

Tira Dela
Da carne
Dela
O gosto
Do amargo
Tenebroso
Doce da
Meia
Noite

Eu sei,
Ceifador,
Eu sei.

Que agora
As luzes
Não verei
Mais
Nunca
Mais
Nunca
Mais

Por quê,
Ceifador,
Por quê?

Tive de
Matá-la
Para
Sobreviver
a impiedosa
fome da
meia
noite
?

Oh, não

Eu a matei

Oh, não

Eu a comi

Oh, não

Eu sobrevivi

Oh, sim

Para depois morrer de frio

sábado, 11 de setembro de 2010

Insanidades Escritas (1)


Vida em um Parágrafo
Jorge Magalhães de Oliveira

Ah! Querido leitor, nunca houve pessoa com final tão feliz quanto o de Daniela Pedroso Araújo. Era estéril e não teve filhos seus, não esperava por isso, porém aceitou bem o seu destino. Casou-se com 25 anos e fez todas as bodas que sua vida permitiu. Morreu aos 95 por envelhecimento enquanto dormia; Viu seu Marido, João Carlos Silva Araújo, Morrer de câncer uns seis anos antes de sua partida para o expresso final. Formou-se professora de educação infantil e ensino fundamental concluindo o curso superior de pedagogia aos 22 anos na Universidade de São Paulo e obteve uma oferta de emprego maravilhosa para lecionar uma sala de 35 alunos na sua cidade natal na escola onde havia estudado ainda criança. Viajou, então, em dezembro para a Bahia, morar com seus pais e exercer sua profissão. Seu pai conseguiu recebê-la de braços abertos em casa, porém morreu dois meses depois. No dia da morte de Antonio Pedroso conheceu João que era filho de um amigo do falecido. Três anos mais tarde o casório aconteceu na Igreja São Jorge dos Ilhéus. Ensinou 525 crianças das mais diversas cores e condições financeiras no Grupo Escolar do Eduardo da Avenida Princesa Isabel da cidade de Ilhéus. Numa noite seu marido, então Radialista da rádio "Gabriela FM", lhe falou da oferta de emprego que havia ganho para trabalhar na cidade de São Paulo junto com a grande oportunidade de estudar em uma universidade de sua escolha com as despesas pagas pela empresa contratante. Daniela amava sua cidade, só que viu alí a única oportunidade que seu marido teria de conseguir um diploma de ensino superior. E, posso contar a vocês, que Daniela não poderia ter feito escolha mais sábia, pois era, sem dúvida alguma, a única chance que seu amor teria. Ela se lembrou que ainda adolescente, por volta dos 15 anos 3 meses 17 dias e 17 horas de idade, de quando comunicou aos seus pais a sua intenção de fazer o ensino médio e, posteriormente, uma faculdade na cidade de São Paulo. Seus pais só haviam lhe dito duas coisas naquela época. "Se acabar o seu dinheiro não peça mais." e "Se você não passar na faculdade nem se importe de voltar." e como nós já sabemos, ela passou e voltou. Viu então o que precisava fazer por seu marido. Arrumaram as malas, trancaram a casa, deram a chave para a mãe de Daniela e pegaram o primeiro avião para a cidade da garoa. A vida não foi fácil nos primeiros meses, tiveram de se acostumar com mudança constante de temperatura, as ofensas não intencionais por parte dos paulistas ("Nossa, que coisa de baiano") e a pobreza momentânea. Tiveram de morar em um pequeno apartamento somente com o dinheiro ganho por João Carlos já que todas as reservas feitas por Daniela, que juntava bastante dinheiro lembrando das palavras ditas por seus pais, estavam aplicadas na construção de uma escola particular de Educação Infantil nas imediações do Jardim São Paulo. Quando a pequena escola ganhou notoriedade pela região, graças aos imensos esforços da dona para que o ensino fosse o melhor, a vida começou a melhorar, seu marido terminou a faculdade e as coisas melhoraram ainda mais. Sua pequena escola de educação infantil cresceu tanto que virou o Instituto Daniela araújo, até que com 65 anos retorna a Ilhéus para adotar uma criança (sua esterilidade e estabilidade financeira ajudaram no processo). Um garoto de quinze anos se mudou com ela para São Paulo e recebeu a melhor educação que eles puderam dar. Nunca houve pessoa tão grata quanto Pedro pelo amor que Daniela, uma senhora de cabelos já brancos, e João Carlos, também grisalho, o deram. Pedro então se formou em medicina e cuidou de seu pai na reta final. Logo seu marido morreu, e Daniela chorou durante 13 dias e 12 noites, mas ficou feliz pois acreditava na graça de Deus e que João estava na sua companhia. E, um dia depois de fazer as sua grande festa de 95 anos, na qual dançou como se fosse uma garotinha, os anjos vieram lhe buscar em seus sonhos. Suas últimas palavras foram "Como fui feliz". E foi mesmo.

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Não sei dizer se o que escrevi está bom ou não, só sei que queria uma narrador que conversasse pelo menos um pouco com o leitor, uma história de um parágrafo e uma sucessão de fatos tristes e felizes que representassem uma vida boa. Se eu puder ser um pouquinho como Daniela já estarei feliz. Peço perdão por qualquer erro de português ou concordância, o texto ainda não foi revisado. Agradeço pela compreensão.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quem diria?

(Observação: Este pedaço da minha história foi feito para ser escutado com a música "Chasing Pavements" da brilhante Adele. Pelo menos foi assim que eu o escrevi, ao som de sua linda voz e embargado pelo seu sentimento.)
só apertar play e esperar

Quem diria?

Pensei, pensei e pensei. Poderia simplesmente segui-la até o fim do mundo. Poderia largar as coisas que tinha pela metade. Podia mantê-las incompletas. Em um passado tão distante que não me lembraria de tê-lo feito. Poderia abandonar os pequenos pedaços de meu coração que deixei nas mão das pessoas importantes para mim. Poderia muito bem deixá-los de lado. Poderia?
Na verdade, não pude. Não fui com ela. Continuei, mesmo que sofrendo, mesmo que sozinho, mesmo que perdido, eu continuei. Permaneci lutando contra tudo e todos. Irei completar tudo aquilo que comecei. Começarei novos projetos. E os terminarei também. Eu não vou desistir mesmo que a dúvida permaneça em minha cabeça. Eu vou remexer em tudo até embaraçar meus pensamentos, e depois desembaraça-los. Mas eu farei tudo aqui. Perto de tudo e todos. Menos dela.
Tenho muitas saudades, nos vemos de vez em quando, nos falamos sempre. Já chorei muito, já me despedacei o suficiente. Hora de erguer a cabeça. Hora de seguir em frente. Não sei onde, mas encontrei forças para me forçar a dar mais um passo a frente. Não sentei em nenhum banco de madeira, não cortei caminho pela grama. Caminhei sobre as pedras me apoiando nas pessoas que estão comigo. Nos meus grandes mestres.
E tenho caminhado. Quem diria? Eu pelo menos sempre duvidei de mim mesmo.
Quem diria? Eu consegui dar mais um passo.
E pretendo continuar andando.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Guarda chuva


Jorge Magalhães de Oliveira

Ele correu com todas as forças, quebrou o seu pacto inicial. Aquele que ele fez em um dia de neve, um dia tão, tão, triste. Quase desistiu umas duas ou três vezes quando viu a distância entre os dois. A grande lacuna que os separava física e emocionalmente. Seus pés doíam, sua respiração falhava e seus olhos lacrimejavam (Como ainda consigo vê-la?). Uma ponte passou por ele sem que fosse notada, algumas casas, alguns sorrisos ou expressões de surpresa também. E ele sabia. A culpa era sua e de mais ninguém. Havia sido fraco, quando precisava ser mais forte. Por eles. Por isso não desistiria de novo, não tão facilmente.

A chuva havia parado (Finalmente!) e seus pés já doíam tanto que ele não mais os percebia pisando pedras pontiagudas, deixando rastros de sangue no chão (por que esqueci mesmo as minhas sandálias dentro da casa?). O engraçado foi que quando percebeu que estava sangrando seu único pensamento foi o de que agora ele tinha alguém para sofrer por.

Quando finalmente a alcançou, isto ainda demorou mais um tempo, pegou em seu ombro e a virou para ele.

“Nunca mais vou correr atrás de ninguém, ninguém! Eu não mereço o sofrimento de perceber que tudo o que caminhei foi em vão.”

Se sonhos pudessem ser descritos com precisão, ela diria que estava em um pesadelo. Não adiantava fugir, chorar, ou lutar. O perigo sempre te alcança (SEMPRE!). Pelo menos em um pesadelo. E lá estava ele. O homem por quem lutou, aquele que depois de todo o seu esforço a disse palavras incoerentes com a realidade. Aquele que a iludiu quando mais precisava de verdade. Aquele que havia traído-a com o medo.

[ EU TE ODEIO! Se não fosse por esse maldito emprego perto de você, perto daquele imundo antro de loucos que você chama de lar, que você ousa chamar de casa, eu nunca teria sofrido tanto em toda a minha vida!]

(Não)

[Eu... eu nunca quis... te amar, nem por um momento.]

(Isto é mentira! E todos aqueles dias em que fomos ao parque depois do trabalho? E as pizzas grátis que meu pai havia nos dado no nosso primeiro dia de trabalho? Lembra disso? E da brincadeira das cadeiras? Você lembra das coisas boas?)

[E é por isso que... a partir de hoje você deve ser feliz...]

(Mas e ele?)

[Vá atrás de alguém que mereça o seu amor. Alguém não tão doentio quanto eu sempre fui perto de você, alguém que te amará de verdade. Que não dirá uma palavra que te machuque... Alguém que não lhe tire algo que lhe é precioso...]

(Mas e ele? É isso que ele quer? Ele realmente me odeia? Ou está me testando?)

[Ou que a faça ter duvidas sobre o amor.]

(Só sei que eu o quero. O quero mais que tudo, mais que minha maldita família, mais que minha própria vida. Odeio ser dependente de seu amor.)

[Acabou.]

– Me desculpe – foram as palavras que ele disse olhando para os olhos dela, tão claros quanto o dia deveria ter sido, não fossem por aqueles malditos acúmulos de vapor no céu, que bloqueavam toda a sua clareza.

– Perdoá-lo? Por quê? – ela sorriu por fora. Aquela, sem dúvida, foi a expressão mais triste que ele havia visto nela – Por não ter me ama...

– Eu te amo. Eu realmente te amo. Eu... surtei. Eu fraquejei, mais uma vez. Não sei o porquê, mas...

[Você sofreu? Sofreu com o que?]

(Por favor, que ela seja feliz. Que seja feliz sem mim. Eu só quero que ela seja feliz. Para sempre. Sem mim. Sem este boneco de madeira quebrado. Este fantoche, que nunca conseguiu liberar uma palavra propriamente sua. Este pedaço de madeira que não merece ser feliz. Sem mim.)

[Desse jeito? É Assim que pretende mentir para mim? Descaradamente?]

(Eu vi seu sorriso esvaecendo-se enquanto você olhava para o túmulo de seu irmão. Por que ele havia se jogado na frente daquele carro por mim? Quem sou eu perto da felicidade que ele lhe proporcionava? Por que ele fez isso?]

[Vai desistir da vida que meu irmão te deu? Só eu preciso ser feliz? E O MEU IRMÃO MERDA! E a minha droga de família despedaçada? Como eles ficam? Sozinhos? Porque eu não estarei lá. Não se você não estiver comigo. Não sei o que é pior...]

(Isso, vai, tenha ódio de mim, assim eu posso entender para que vim a este mundo. Não foi para te fazer feliz como havia pensado anteriormente. Foi para assumir a culpa de todas as coisas que te aconteceram de ruim. Virar o monstro, aquele que você pode culpar por tudo.)

[ Ter um irmão morto, ou um amor fraco. Que desiste de mim, tão facilmente quanto meu irmão lutou por tua vida. Você quer que eu te culpe? É isso que você quer não é? Quais qualidades você acha que você precisa ter além dessas fantasiosas que você criou?]

(Muitas.)

[É, parece que acabou. Apesar de nunca pensar que veria alguém morrer, tive que presenciar três mortes só nesta semana. A de meu irmão, a sua, e, finalmente, a minha. Que morri quando você disse está última palavra. Este corpo não pertence mais a este mundo. Fraco.]

Foi como se ele tivesse levado um tapa na cara. Ela havia o chamado de fraco. Ela havia morrido. Ele também. Foi então, de repente, ao vê-la virar de costas para ele e começar a correr atrás da chuva, sair do coberto para o sereno, entrar em um mundo onde o cheiro dele não chegava as suas narinas, um mundo molhado onde seus beijos não teriam gosto, onde seus abraços seriam gelados. Um mundo de chuva. Um mundo de decepção.
Foi um simples estalo, nada mais. (O que estou pensando?) Um simples e único estalo, aquele que temos quando menos esperamos, aquele que poderia vir acompanhado de um “Eureka!” se a expressão mais apropriada não fosse “Como não percebi antes?”.
Foi, sim, um belíssimo estalo. (Por que eu tenho que errar de caminho para saber o que é que eu quero?) Ele era ser humano. Ele era idiota como todos. Ele era humano. Era simples, arrogante, egocêntrico, gentil, forte, humilde, fraco, amado e odiado. Era humano.
E como errar é humano, perdoar também deveria ser. E nisso ele se apegou, e saiu correndo descalço atrás dela.

Quando eu me apaixonar de novo, juro, que seu correr atrás dessa pessoa, seja emocional ou fisicamente, eu juro para você mãe, Eu vou me arrepender amarguradamente de tê-lo feito, pois eu serei um idiota.”

Ela sabia que ao que ele se referia, 20 minutos atrás estavam dentro de um mundo de amor e tristeza. Em que as pessoas estão quase sem sentimentos de felicidade, mas que apenas um abraço acalenta a mais fria das almas. Mas agora, aquele mundo havia se despedaçado, eles já não estavam mais naquele mundo. A chuva voltara a cair. Era o mundo da chuva. E eles estavam expostos as tristezas mais profundas deste mundo.

– Eu sei que eu fui um fraco, sei que desisti de você, que nunca conseguirei o seu perdão por este momento especifico. Eu pensei, que você nunca... nunca mais ia sorrir. Se eu ficasse ao seu lado, todos os momentos você lembraria-se do rosto de seu irmão no acidente de carro. Do momento em que ele me empurrou para frente, para os seus braços, em vez de correr e salvar a vida dele. Do pavor em seus olhos. Eu realmente pensei que te deixar seria a melhor maneira de fazê-la esquecer daquele rosto estampado na faixa de pedestres. Eu não queria... que você sofresse... e parece – ele então riu, coisa que não fazia havia tempo – que eu só sei fazer o contrário do que eu quero.

Os dois ficaram se olhando durante um tempo quase que eterno naquele mundo particular. Descobertos, quase nus por dentro, sem nenhuma proteção para o seus âmagos e idiossincrasias. Só olhando, reconhecendo o rosto um do outro. Ela deu um sorriso, como aqueles que ela dava antes de tudo ter acontecido.

– Que drama, hein? – (lágrimas ou gotas de chuva?) – Se você pensava tudo isso, por que não falou? Por que demorou tanto para vir falar comigo? Será que você não percebeu que eu te amo? Apesar de todo o drama, e todo o sofrimento em excesso que você sofre por qualquer coisa?

– eu...

Seus lábios foram cobertos pelos dela. Apesar da chuva, estava doce. Seus braços se aconchegaram nas costas dela. Ainda esquentavam. E o cheiro dela... estava mais inebriante que nunca. Deixara de ser um simples mundo da chuva. Virou o mundo deles. Somente deles.
Eles se separaram e encostaram as testas, e ficaram dizendo palavras de amor um para o outro. Ela, então, colocou o dedo indicador na boca dele, impedindo qualquer som de sair de lá. Sorriu novamente e disse:

– Vamos fazer uma promessa? Por mais que a gente queira... Não vamos mais criar uma cena dessas, tá? Dá muito trabalho cuidar de pés feridos, ou acha que não percebi que você correu descalço?

Só então ele voltou a sentir dor. Seus pés não estavam tão ruins assim, mas ele havia pisado com muita força em algumas pedras e isso o havia machucado um pouco. Ele caiu sentado xingando. Ela riu dele.

– Vamos vai, promete? – refez a pergunta ainda rindo do ridículo que se passava com eles

– Tá bom, vai. – falou um pouco emburrado.

Ela sentou ao seu lado e o beijou de novo. Continuava chovendo, mas eles não se importavam. Como também não precisavam de nenhuma proteção contra a água gelada que caía em pequenas gotas. O amor deles era um guarda chuva por si só. Que os protegeria de qualquer tipo de tornado. Pelo menos, enquanto este se mantivesse aberto.