
Jorge Magalhães
de Oliveira
Dia 15 de agosto
A minha mão encontra as costas daquela que me abraça com tanta ternura, e repete o gesto feito em mim pelas mãos amáveis dela. Só que o único desejo daquela mão é afastá-la como uma infectada. Nojenta. Pútrida. Irritante. Monopolizadora. Arrogante.
Ah, mas se ela soubesse do que tenho guardado dentro de mim e do tamanho de minha paciência perceberia que meus dentes nunca estiveram tão amarelos. Perceber é o problema dela. Não percebe. NUNCA. Continua burra acreditando que a amamos, que realmente gostamos dela. Que simplesmente nunca lhe passou pela cabeça que todos os sorrisos a ela direcionados já foram, pelo menos uma vez, falsos por todas as pessoas que a circundam.
Como é ingênua, a ponto de parecer idiota, esta menina. Se joga em cima de garotos como se os lábios alheios fossem carne que não come a anos, e a saliva fosse água doce que lhe saceia a sede de morte. Como é ingênua por não perceber que é usada. Como é ingênua por não perceber que ele me ama. E não a ela.
E, por mais que eu tente localizá-la neste mundo podre que é a terra, ela se mantem radiante e estúpida. O sol da manhã nunca dorme dentro de seu pequeno corpo. Corpo horroroso. Cabelo Seboso. Espinhas inflamadas. Engorda sua louca desvairada! Que ainda falta para você atingir o meu conceito de acabada. Come este docinho que fiz especialmente para você, e que infelizmente não tive a decência de colocar cianureto na receita. Engole este pedaço de gordura e fique gorda. Gorda e mais gorda.
Por incrível que pareça eu gosto dela. Desta imbecil. Gosto de verdade. Só que o saco está enchendo de ar e prestes a estourar. Só que o saco não para de encher. E o saco não para de chiar.
Então, melhor cortar este mal pela raiz de seu cabelo, raspando tua cabeça até ficar lisa e pelada, brilhando como bola de bilhar. Enfiar-lhe goela abaixo líquidos com álcool e forçar-te uma cirrose. Fuma este bagulho e fique viciada. Grite de dor enquanto espanco sua cara. Seu lindo rosto de cavalo com expressão azeda e vazia.
E ainda gosto de você. Minha nossa. Como sou falsa.
Que felicidade.
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Helena Palma, uma de minhas personagens mais queridas. Tão repugnante que a amo do fundo do meu coração. Ela veio bem a calhar neste momento de raiva, a vejo como um lado meu que não aparece muito, só que quando aparece sempre é uma surpresa. No início este excerto não falava sobre inveja, porque não a sentia. Só que vi no que escrevi um desabafo de Helena sobre sua inveja. Talvez a personagem invejada dê as caras um dia desses. Seu nome veio de uma professora de balé de minha irmã, porém são personalidades completamente diferentes. Espero que Helena e sua visão medonha de mundo consigam voltar a vez a luz com este blog.
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